Tefilot

 Orações - Preces

1- Parte

        Este artigo visa o esclarecimento e uma auto-ajuda pertinente à meditação e a oração no contexto hebraico e Escritural.

 

1 – Origem da palavra:

-Tefilá vem da raiz hebraica “Pelel” (julgar);

-É associada com “L’HITPALEL” (julgar a si mesmo);

-Nossos sábios também a identificam como “pensamento e esperança” (vide Gen. 48:11) -É também entendida como “conexão”.

 

2 – Por que orar?

a) As consequências de Gen 3:22;

b) Mistura do bem e do mal;

c)  Separação entre a criação e o Criador;

d) Não é o Eterno El’shadai YHWH quem precisa das orações. Somos nós que precisamos aprender a separar o bem do mal, e constantemente nos reconectarmos com o Criador. e)

 

“A oração é o processo de juntar as coisas. Quando oramos, há apenas duas coisas no universo: Elohim e nós mesmos. O problema é que há duas entidades separadas, quando na realidade elas deveriam estar intrinsecamentes unidas. A tefilá (oração somente no contexto judaico) remedia o problema e faz a junção. Então a tefilá é o processo através do qual nós começamos olhando para nós mesmos, concentrando em nós mesmos, e prosseguimos para nos concentrarmos em Elohim, elevando a nós mesmos acima das coisas da vida cotidiana que predominam durante o resto do dia”Rav. Y. Hechel Greenberg

 

3 – Primeiro Passo: Kavaná

a) Kavaná é a palavra hebraica para “intenção do coração;

b) Assim como o corpo sem espírito é morto, a oração depende da kavaná;

c) “A kavaná torna as suas orações reais.

 

        "A kavaná significa que você colocou todo o seu coração e alma (seu viver) em cada palavra; você tenta agradar a Elohah com as suas palavras...” Rav. Yehuda Eisenberg;

 

4 - O que é necessário para ter a kavaná correta?

a) Lembre-se: O coração é o centro e a origem das ações. (Efésios 6:6)

b) Reconhecer que o Eterno YHWH é Rei e Senhor: “Venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade”

c) Entender que somos parte do Reino (Corpo);

d) Você busca de fato a vontade do Criador YHWH para a sua vida? “Elohah YHWH sabe o que é melhor para mim” ou “Elohah YHWH sabe o que é melhor para o Reino”. Qual a minha prioridade? Mt. 26:39;

e) O real significado de Mt. 6:33; f) Se Elohah YHWH é Seu Rei, aja como tal!

g) Separar um local para poder se concentrar – O tempo de oração deve ser um tempo de meditação (Sl. 19:14); h) Alguns exemplos bíblicos:

 

- Yitschak (Isaque) Gen. 24:63; - Hannah (Ana) 1 Sam. 1:9; - David (Davi) 2 Sam. 7:18; - Ezequias 2 Re. 20:2; - Esdras - Esdras 9:15; - Daniel - Dn 9:3; Estudos que edificam 4 - Hannah (Ana a profetiza) Lc 2:37; -Ye’shua o Messias Mt. 14:23; 4

 

– Segundo Passo: Prepare-se

a) Não podemos nos aproximar de Elohah YHWH de qualquer maneira! Temos que saber que Ele é o Melech Ha Melachim (Rei dos Reis), e não uma pessoa qualquer! Amos 4:12: “Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Elohim.”

b) Devemos ter reverência. Ap. 11:18;

c) Começe sua oração como um servo que se aproxima do Rei. Seja reverente e reconheça quem Ele é.

 

5 – Terceiro Passo: Auto-Reflexão

a) Auto-reflexão: Sl. 4:4; Sl. 77:6;

b) Uma das palavras para “meditação/auto-reflexão” no hebraico é “bakar”, que significa também “buscar”;

c) Qual o objetivo da auto-reflexão? Teshuvá (retorno)! Lam. 3:4; Sl. 119:59,60;

e) A auto-reflexão é o objetivo do Eterno YHWH. Elohah YHWH prefere que julguemos a nós mesmos, do que sermos julgados por Ele. 1 Co 11:31;

 

- Sobre o que devemos refletir em nossas orações?

a) Sobre as obras de YHWH (Sl 77:12, Sl 143:5);

b) Sobre se estamos vivendo a Torá (instrução/ mandamentos) Sl. 119:48,97,99;

c) Sobre a nossa fé nas promessas de Elohah YHWH (Sl. 119:148);

d) Sobre a majestade do Eterno de Israel YHWH (Sl. 145:5);

 

- Resumidamente, estes são os três focos da nossa reflexão:

a) Nossa relação com o Reino de YHWH Elohah;

b) As necessidades do Reino de YHWH Elohah;

c) Teshuvá (retorno ao criador)

 

6 – Quarto Passo: Entenda o Objetivo -O objetivo da oração é:

a) Mudar primeiramente a nós. As circunstâncias podem (ou não) mudar quando mudamos. Vide Atos 4:29;

b) Às vezes, as circunstâncias não vão mudar, e o objetivo da oração é apenas a teshuvá (retorno). Vide o exemplo de Davi em 2 Samuel 12; c) “Concentre na fortuna, e não no centavo” (No abençoador e não nas bênçãos);

d) Antes de mais nada busque uma mudança de atitude. Sl 51:10

e) Teshuvá (retorno) e fortalecimento da fé: esses são os dois objetivos principais da oração. Alguns exemplos de pensamentos errados:

 

Errado: “A oração tem poder!”   Certo: A oração libera o poder de Elohah YHWH;

Errado: “Ora, Que Melhora!”       Certo: Oração não é simpatia.  A oração nos aprimora. A medida em que somos transformados segundo o propósito do Pai YHWH, vivemos e vemos o Seu agir nas nossas vidas; Estudos que edificam;

Errado: “Eu pedi que o Senhor fizesse o melhor pra mim!”       Certo: Peça a Adonai que faça o melhor para o Reino dEle;

Errado: “Eu oro do meu jeito!”        Certo: Você fala com seu chefe do jeito que você bem entender? Ore do jeito que Elohah YHWH deseja; Errado: “Se não aconteceu, é porque você não orou com fé!”      Certo: O objetivo da oração não é atender aos nossos desejos, mas aproximar-nos de Ha’ shem YHWH; Lembrete: A lição que Ye’shua o Messias nos ensina. Mt. 6:31-33. E lembre-se: o fato de uma oração não ser atendida não significa que o Eterno YHWH não cuida ou não se importa com você;

 

7 – Quinto Passo:

        Ofereça Sacrifícios - O que é o sacrifício diário? - Na ausência do Beit HaMikdash (Templo), devemos oferecer sacrifícios diários de oração, pois o objetivo é o mesmo: demonstrar um coração contrito. Sl. 141:2; Pr. 15:8; Ap. 8:3

- O sacrifício de oração não expia pecados, mas prepara-nos para recebermos o perdão;

- Muitos entendem a necessidade do “sacrifício de oração”, mas não sabem o que é. O que é o sacrifício de oração? Sl. 62:8

- O sacrifício de oração é o primeiro passo para a teshuvá (retorno).

 

8 – Sétimo Passo: Individual x Coletivo

a) O individualismo da cultura ocidental x o Corpo/Assembléia/Povo de Israel;

b) A maior parte das orações tanto nas Escrituras quanto na tradição judaica utiliza o pronome “nós” ao invés do pronome “eu”;

c) Que pronome Ye’shua utiliza quando ensina os seus talmidim (discípulos) a orarem? Nós!

d) O verdadeiro significado de Mt. 18:19-20. Não é “o poder da oração de dois”, mas o fato de que se há dois ou mais, então há o entendimento de orar pelo Corpo.

e) O Eterno YHWH deseja que oremos uns pelos outros, para que o nosso senso de coletividade, de pertinência a uma família, seja praticado. Ti 5:16 diz: “... orai uns pelos outros...”

 

9 – Oitavo Passo: Quando orar?

a) As Escrituras nos mostram que nossos pais sempre oraram Três vezes ao dia. Vide Sl. 55:17; Dn 6:10;

b) Além disso, há momentos especiais como o Shabat (Sábado) At. 16:13, após as refeições (Dt. 8:10), e a recitação do Shemá ao se levantar e antes de deitar (Dt. 6:7).

 

10 – Complementos que Auxiliam na Oração

a) O Judaísmo como um todo, e o movimento messiânico/nazareno não é diferente, é uma fé bastante prática. Por isso, temos algumas práticas que podem nos auxiliar a melhorarmos a kavaná (reverencia com concentração) no momento da tefilá (oração):

b) Porque o judeu move do corpo quando ora? (Sl. 35:10); c) Melodias (Sl 47:6). As melodias ajudam a colocarmos nossas emoções na oração;

d) Talit gadol: o chamado “manto de oração”. Envolver-se no talit proporciona maior concentração;

e) Óleo (para enfermos): do hebraico “mashah”, indica: separação para Elohah YHWH, derramamento da abundância da sua Ruach (Espírito do Eterno);

f) Chame a YHWH por seus nomes e títulos próprios. Nós não servimos a um “deus genérico” (Ex 3:15). 

 

11 -  O hebraico:

a) A língua original do homem, preservada por Avraham;

b) Força criativa;

c) O hebraico é chamado no Talmud de “lingua do céu” ou “lingua dos anjos”. Compare isso com 1 Co 13:1. 11

 

– Oração Formatada x Oração Espontânea Na Bíblia, encontramos ambas as situações

       Deve haver espaço para ambas em nossa vida espiritual. Vantagens da oração espontânea:

a) Mais específica para a situação do momento;

b) Maior controle sobre o enfoque/duração da oração;

c) Menor chance de ser feita sem intenção;

d) Menor chance de se tornar uma vã repetição mecânica;

e) Maior intimidade no momento da oração.

 

- Vantagens da oração formatada:

a) Mais adequada para orações em grupo (maior participação/concentração do grupo);

b) Maior chance de se adequar à vontade de YHWH;

c) Maior conexão com o Corpo (ex: Amidá);

d) Mais adequada para momentos em que temos “dificuldade de orar”;

e) Estimula o conhecimento das Escrituras.

 

12 – Advertências Dentro do que estudamos o que seria o “pedir mal” citado por Ye’shua?

a) 1 Jo 3:22-24; b) Pr. 28:9. 13 – A Restauração O que é mais eficaz - “Fórmulas Modernas” ou As Escrituras Sagradas? “Assim diz YHWH: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele” (Yirmiyahu/Jeremias 6:6).

 

13 - Qual é a “vereda antiga” da oração? Como oravam os talmidim (discípulos) de Yeshua?

1 – Seção Inicial de louvor e reconhecimento:

a) Avinu ha’shamaim (Nosso Pai Celestial);

b) Kadosh (Separado Seja o Teu Nome);

 

2 – Seção de Petições:

a) Seja Feita a Tua Vontade na terra como no céu;

b) O pão nosso de cada dia nos daí hoje;

c) Perdoa as nossas dívidas como perdoamos aos nossos devedores;

d) Não nos deixe cair em tentação; e) Mas livra-nos do mal.

 

3 – Seção Final de Reconhecimento/Ação de Favores:

a) Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre

b) Essa foi a forma que Ye’shua nos ensinou a orar. Portanto, o último passo para uma oração eficaz é seguirmos este modelo: Louvor/Reconhecimento + Petições + Reconhecimento/Ação de Favores.

 

14 – Resumo Oração é: -Auto-avaliação, -pensamento e esperança, -conexão com o El’shadai YHWH

Passos para a oração:

1 – Tenha a Intenção correta e concentre-se (Kavaná);

2 – Prepare-se para encontrar-se com o Rei dos Reis;

3 – Faça uma auto-avaliação;

4 – Entenda o objetivo da oração: Teshuvá e fortalecer a fé, e não “satisfazer as suas vontades”

5 – Ofereça sacrifícios de oração ( 3x ao dia)

6 – Concentre-se mais no coletivo (Reino de YHWH) do que no individual;

7 – Saiba quando você deve orar.

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 Orações - Preces

2 - Parte

Oração – Voltar-se à direção do Eterno

 

”אֵּתּתעִירו וצַלַו ּדלָא ּתֵעלּון לנֵסיּונָא רּוחָא מטַיבָא פַגרָ א ּדֵין ּכרִ יה”

 

“Despertem e voltem-se em oração, para que não entreis em tentação; a Direção está pronta, mas o corpo é fraco.” - Matityahu (Mat.) 26.41

 

– traduzido do aramaico Essa passagem é uma das passagens mais mal compreendidas e traduzidas e, como é grandemente difundida, é bom que tenhamos um cuidado maior para com ela. Escolhi um documento aramaico, por ser o mais seguro para traduzir a passagem e chegarmos a um texto bem mais próximo do que os primeiros alunos de Yeshua compreendiam de suas mensagens, já que a língua dos judeus do primeiro século era o aramaico. Primeiramente, contextualizando, todos estavam em vigília, mas não com a intenção de uma “purificação espiritual” necessariamente, mas por conta do mandamento de ficar em vigília na noite do Pessach (Páscoa). Isso pode nos ser de grande ajuda para compreender o cenário geral da passagem. A passagem nos ensina sobre um dos propósitos da oração, ensinados diretamente por Mashichah Yeshua. Quanto à palavra oração em aramaico, estudaremos a estrutura linguística mais à frente, mas basta saber que oração aqui aplicada em aramaico vem da raiz tz’lah, que significa “inclinar na direção…”, “prestar atenção em…”, “voltar-se para…”, “atentar-se para…” ou “orar” no sentido em que se usa geralmente em comunicar-se com o Eterno.

        Percebam que Yeshua, mais do que falar de conversar com o Eterno, O Sagrado e Bendito, ele estava dizendo que a direção já tinha sido dada em meio de mitzvah (Mandamento) e bastava obedecer. Nesta passagem o sentido da oração é em sentido contrário da primeira oração analisada. Na primeira passagem que estudamos, verificamos que o Eterno nos ensina a chamar por sua presença, nesta passagem vemos a importância de nos voltarmos a ele em obediência. Aprendemos algo ainda mais com o aramaico, bem como com Yeshua. Aprendemos que nós devemos ir à Direção dEle. Boa parte das traduções traduz Ruchah como espírito, mas é uma tradução pobre quanto à compreensão, sendo que o contexto nos mostra que ruchah T'FILAH, ORAÇÃO! Pode ser direção, e faz todo o sentido, dentro do contexto analisado. O que eles deveriam fazer na vigília já havia sido dado através do mandamento de permanecer acordado, mas o corpo estava fraco, não estava pronto ou preparado. Os mandamentos de Elohah nos levam à obediência e à intimidade, mas nem sempre nosso corpo está disposto a obedecer ou preparado. Nossas vidas em relação aos mandamentos do Eterno também são assim.

        É muito fácil nos prepararmos para os mandamentos, mas o fato é que muitos de nós tratamos os mandamentos do Eterno como algo trivial e falhamos no cumprimento dos mandamentos, não por ser fácil ou difícil, mas por não darmos a devida importância a eles. Seja no separar-se da imoralidade ao afastar-se ou ao preparar alimentos bem antes do dia de cultuar ao Eterno, simplesmente para poder dedicar-se mais à adoração ao Sagrado. São pequenos atos, que nos preparam para obedecer, que fazem a diferença para o que está com o tanque cheio para viajar ou o que para no meio da estrada. Sendo assim, voltemos para o Eterno, que nossas orações também sejam o que nos levam a regressar ao caminho correto e nos façam reparar nossos erros para enfim chegarmos à verdadeira teshuvah.

 

ּכֻּל מַן הָכִיל ּדנֵׁשרֵ א חַד מֵן פּוקּדָנֵא הָלֵין זעּורֵ א ונַלֵפ הָכַנָא לַבנַינָׁשָא ּבצִירָ א נֵתקרֵ א Matityahu 5:19 -

. ּבמַלּכּותָא ּדַׁשמַיָא ּכֻּל ּדֵין ּדנֵעּבֵד ונַלֵפ הָנָא רַ ּבָא נֵתקרֵ א ּבמַלּכּותָא ּדַׁשמַיָא Matthew 5:19

 

– Kol man hakil deneshre chad men pukdane halein zeurê wnalef hakanah labnaynasha btzirah netqreh bemalkutah dashmayah kol den dne‟bed unalef hanah rabah netqare bemalkutah dashmayah.

 

Todo aquele portanto que libertar [1] uma [pessoa] a partir dos [2] mandamentos e este ao menos ensinar assim a um homem, será chamado menor no reino dos céus, mas todo que praticar e ensinar, esse será chamado rabino no reino dos céus.

 

1 – A palavra “deneshre” tem as possíveis traduções afrouxar, apresentar, começar, solto, comer, águia. Na maioria das traduções é visto como soltar.

2 – Men significa vindo de(a, o), do, da, a partir de. Sendo assim o passuk (Versículo) entra dentro do contexto e alinha-se com as escrituras. O mais interessante é que vemos que quem é o menor, tratando-se de galardão e não de salvação, é aquele que ensina alguém a andar é chamado pequeno, mas se alguém ensinar e praticar será chamado elevado (Rabí) no Reino dos Céus. Devemos ensinar, mesmo que somente um mandamento a alguém, mesmo que este não siga a toráh como modelo de vida, mas se este somente aprender uma mitzvah (mandamento) e iniciar a sua prática de vida, nós já colocaremos o Reino em prática, pois o reino é simples, se alguém se submete ao Rei, o reinado dele já é estabelecido. Vemos muitos mestres que tem em sua falta de conhecimento ensinado as pessoas a amarem mais ao próximo, têm ensinado pessoas a deixarem a idolatria e mesmo que aparentemente seja somente uma parte da torá, vemos que mais pessoas se submetem aos mandamentos do Eterno. Segue a seqüência do texto, do aramaico:

 

17 – Não penseis que vim abolir a toráh ou os profetas; não vim para abolir, mas para torná-los plenos. 18 – Amém! Por que vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da torá um só Yud ou um só traço, até que tudo seja cumprido. 19 – Todo aquele portanto que libertar [1] uma [pessoa] a partir dos [2] mandamentos e este ao menos ensinar assim a um homem, será chamado menor no reino dos céus, mas todo que praticar e ensinar, esse será chamado rabino no reino dos céus. 20 – Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas [professores da toráh] e p‟rushim,  (fariseus) de modo nenhum entrareis no reino dos céus"

 

        Sendo assim, vemos que as escrituras não dizem que se alguém ensinar alguém a pecar entrará no reino como menor. Alguns líderes se apegam a esse passuk para afirmar que preferem ser pequenos e dizem agarrar-se a graça de mesmo não seguindo a torá, chegarão a herdar o Reino de Elohah. Entendemos que as pessoas devem caminhar dia após dia, passo a passo, quem sabe a medida que as pessoas obedecem os mandamentos de Elohah, descobrem o quanto mais podem caminhar em obediência e passo a passo o Reinado dos Céus seja estabelecido. Yeshua nos ensina a orar

 

”ַאנּת ּדֵין אֵמַתי ּדַמצַלֵא ַאנּת עּול לתַוָנָכ וַאחּוד ּתַרעָכ וצַלָא לַאבּוכ ּדַבכֵסיָא וַאבּוכ ּדחָזֵא ּבכֵסיָא נֵפרעָכ ּבגֵליָא .“

 

“Mas tu, quando orares, fecha-te 1 no teu quarto e ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” - Matityahu (Mat.) 6.6 –

 

          Traduzido do aramaico Embora esse passuk 2 seja o mais lembrado, ele está inserido em um contexto de ensino de oração. Falaremos posteriormente sobre a oração que Yeshua nos deixou, conhecida como “Pai Nosso”, ou “Avun d’bashmaya”. Porém, neste material introdutório, trataremos da parte anterior que seria uma aula introdutória de Yeshua sobre a oração. Aqui, quando lemos o aramaico, podemos perceber um belo jogo de palavras, como era comum na época, praticamente um poema. Lemos aqui a expressão “fechar-se em seu quarto”, e podemos verificar que a palavra ‘ul (ולּע), “fechar”, tem vários sentidos no aramaico, um deles é fechar, porém, também pode significar “errar”, “mal”, “pecado”. Porém, a palavra aramaica é uma variante que provém da palavra Hebraica e’ uwl (אול) que tem sua raiz em אל, que significa simplesmente “entrar”. Esse jogo de palavras nos ensina algo interessante. O fechar-se no quarto pode ser associado à tristeza por conta do pecado. O arrependimento e tristeza pelo pecado deve ser um relacionamento pessoal. A restauração deve ser íntima e pessoal, deve ser entre o Eterno e o indivíduo que está pedindo perdão. Provavelmente por isso a cultura Israelita guarda até hoje o ato de esconder-se dentro da Simlah , manto de oração, durante uma súplica, arrependimento ou tristeza, como forma de íntima relação entre o Restaurador e o restaurado. Muitos até hoje, por vezes querem mostrar-se com aparência de piedade e abrem berros diante de comunidades, porém Yeshua nos ensina que esse tipo de clamor deve ser mantido na intimidade com nosso Pai. Infelizmente a mesma corrupção farisaica permanece em grupos modernos, cristãos e judaicos. Muitos se apegam à tristeza e preferem chamar a atenção a si, quando em uma congregação, ajuntamento ou comunidade, os holofotes devem estar diante do Eterno e não dos homens. Há momentos para súplica, porém, isso é extremamente íntimo e pessoal. É claro que existem exceções, mas, em suma, devemos aprender que no momento de clamor coletivo não há espaço para alguém em alta voz com lágrimas, chamando a atenção de homens, pois, como Yeshua mesmo diz, estes já receberam as suas recompensas. Não devemos fazer coisa alguma a fim de sermos vistos pelos homens, pois assim fazem os gentios e hipócritas.

 

        A ORIGEM JUDAICA DA ORAÇÃO DO PAI-NOSSO Avinu Malkênu - Nosso Pai, Nosso Rei e Avinu – Pai Nosso Avinu Malkênu; Rashi nos diz que o Avinu Malkênu (tradução literal: nosso Pai, nosso Rei) como o recitamos atualmente é uma expansão da prece comum, mais curta, composta por Rabi Akiva, sobre a qual o Talmud (Taanit 25b) conta: Aconteceu certa vez durante um período de seca que Rabi Eliezer ficou de pé perante a congregação e recitou vinte e quatro preces por chuva, sem sucesso. Nenhuma chuva veio. Então Rabi Akiva postou-se perante a congregação e disse Avinu Malkênu e sua prece foi imediatamente respondida. Quando os Sábios viram que Avinu Malkênu de Rabi Akiva era uma prece realmente eficaz, adicionaram mais pedidos a ela, e instituíram a prece completa como parte do serviço pelos Dias de Arrependimento. Avinu Malkênu (em hebraico: וּנֵכְּלַמ וּינִאבָ) é uma oração judaica recitada durante serviços de Rosh Hashanah (Ano Novo), Yom Kipur (Dia da Expiação) e alguns dias de jejum. Cada linha da prece começa com as palavras Avinu Malkênu e é seguida por frases variadas, principalmente de súplica, feita sob uma cantilena repetitiva, em 54 versos. Os versículos 15 a 23 são recitados primeiro pelo hazan (cantor litúrgico, oficiante) e repetidos pela congregação. O hazan lê o último verso em voz alta e geralmente é cantado por toda a congregação. Avinu Malkênu é incluído durante as orações de Shacharit e Minchá (manhã e início da tarde). Ele é omitido no Shabat (exceto na Ne'ila [encerramento] de Yom Kipur) e na Minchá. Em Erev (véspera) Yom Kipur não é recitado em Minchá, mas algumas congregações recitam de manhã, quando cai na sexta-feira. Durante o Avinu Malkênu, a Arca (onde ficam os Rolos da Torah) é aberta e, ao final da oração, é fechada. Na tradição sefaradi, é recitado no Shabat, e a Arca não é aberta. Ao longo dos Dez Dias de Arrependimento, cinco linhas de Avinu Malkênu que se referem a vários livros celestiais incluem a palavra Kotvênu ("Inscreve-nos"). Durante a Ne'ila, esta é substituída por Chotmênu ("Sela-nos, Assina"). Isso reflete a crença de que TUDO ESTÁ escrito e revelado e no Yom Kipur todos os decretos para o próximo ano são selados.

        Avinu – Pai Nosso Não por acaso, ao evocarmos Avinu Malkênu, Nosso Pai, Nosso Rei, nos vem à mente a oração do Pai Nosso. A invocação Pai Nosso = Avinu é comum na liturgia judaica. O Pai-Nosso ecoa orações judias para Elohim; santificando Seu nome, falando de Seu reino, do perdão e do sustento. Cada linha do „Pai Nosso‟ – a mais judaica das orações - contém paralela na literatura rabínica. Ela é excelente exemplo de como é impossível apreciar completamente passagens do Novo Testamento sem o seu próprio contexto judaico. Essa proximidade é mais aparente nas idéias e nas recitações da liturgia da sinagoga, com a qual Yeshua, judeu devoto, devia ter estado inteiramente familiarizado. Quem pode deixar de reconhecer muitos outros paralelos, paráfrases e ecos do Pai Nosso no serviço religioso diário da sinagoga? A essência da oração Pai Nosso, expressão suprema da fé cristã, foi extraída de obras religiosas judaicas, chegando a usar as mesmas figuras de retórica. Suas primeiras palavras “Pai nosso que estais no Céu”, são uma paráfrase de parte das falas éticas dos Sábios Rabínicos (fariseus!) incluídas no Pirkei Avot 5:20: “...fazer a vontade do teu Pai que está no Céu.” O próprio conceito de “Pai Nosso” referindo-se à deidade, só é encontrado em fontes hebraicas (no Talmud[2] em Yomah 85b, Sotah 49b, Avot 5:20, Vaikrah Rabah 32), e na liturgia, como nas quinta e sexta bênçãos do Shmone Esrê.

 

 

5ª. Bênção Teshuvá (do Arrependimento):

 

Hashivênu avinu letoratêcha, vecarvênu malkênu laavodatêcha, vehachazirênnu biteshuvá shelema lefanêcha. Baruch ata Adonai, harotse biteshuvá

 

. “Reconduze-nos à Tua Lei, nosso Pai, retoma-nos ao Teu serviço, nosso Rei, e faze com que regressemos com sincero arrependimento para ti. Bendito sejas Tu Elohim, que te comprazes com o arrependimento”.

 

 

6ª. Bênção Selach (do Perdão):

 

Selach Ianú avinu ki chatánu, mechal Ianú malkênu ki fashánu, ki El tov vessalach áta. Baruch ata Adonai, chanun hamarbê lislôach.

 

“Perdoa-nos, nosso Pai, pois pecamos; perdoa-nos, nosso Rei, pois transgredimos; porque tu és Elohim bom e clemente. Bendito sejas Tu, Elohim Misericordioso que perdoas abundantemente”.

 

        Também nas 3ª e 4ª bênçãos do Bircat Hamazon (Bênção após a Refeição), Elohah é tratado como Nosso Pai:

 

3ª: Elohenu, Avinu, roênu, zonênu, parnessênu, vechalkelênu, vê-harvichênu. Nosso Elohah, nosso Pai, nosso Pastor, nutre-nos, sustenta-nos, mantém-nos e alivianos”.

4ª: Baruch atá Adonai, Elohênu, melech há-olam, Avinu, malkênu, adirenu, borênu, goalênu, yotsrênu, kedoshenu, kedosh Yaakov, roenu, roê Israel, há-melech há-tov há- metiv lacol, bechol iom va-iom. “Bendito és Tu, Eterno, nosso Elohim, Rei do Universo, Todo Poderoso, nosso Pai, nosso Rei, Onipotente, nosso Criador, nosso Salvador, nosso Autor, nosso Santo, Santo de Yaacov, nosso Pastor, Pastor de Israel, Rei bondoso, que age com benevolência para com todos, dia após dia”.

 

        No Shacharit (liturgia da manhã) de Rosh haShanah (Avive, de acordo com Hashem este é realmente o início do ano), ao Shemah Israel, acrescenta-se Ata hu ad, que entre seus versos diz:

 

Kadesh et shimcha al makdishei shemecha, vekadesh shimcha beolamecha. “Santifica o Teu nome no Teu mundo por Teu povo, que santifica o Teu nome”. E, claro, no ritual de Ano Novo a oração Avinu Malkenu – “Pai Nosso, nosso Rei”.

 

         Mais frequentes nos círculos hassídicos é a invocação "Pai Nosso que está no céu" (Yoma 8:9; Soṭah 9:15; Tosefta, Demai, 2: 9; em outros locais: "Yehi ratzon milifnei avinu-bashamayim"). Uma comparação com o Kadish ("Que o Seu grande nome seja santificado no mundo que Ele criou, segundo a Sua vontade, e Ele possa estabelecer o Seu Reino rápida e proximamente"), com a Kedushah de Shabat ("Tua Majestade seja ampliada e santificada no meio de Jerusalém... Para que os nossos olhos possam ver Teu Reino"), e com o "Al-ha Kol" (Massekhet Soferim 14:12, oração: "exaltado e santificado... seja o nome do supremo Rei dos Reis no mundo que Ele criou, neste mundo e no mundo para vir, de acordo com Sua vontade ... E possamos vê-Lo olho no olho quando Ele reparar a Sua morada") mostra que as três frases,"Santificado seja Teu Nome","Teu Reino venha", e "A Tua vontade será feita na terra como no céu", inicialmente expressa uma idéia só- a petição que o reino messiânico possa aparecer rapidamente, mas sempre sujeito à vontade de Elohah. A exaltação do nome de Elohah no mundo faz parte da inauguração do Seu reino (Ezequiel 38:23), ao passo que a expressão "Tua vontade será feita" refere-se ao tempo próximo, significando que ninguém, só Elohah sabe o Seu tempo de "divino prazer" ("ratzon"; Isaías 61:2; Salmos 69:13; Lucas 2:14).

        O problema para os seguidores de Yeshua foi o de encontrar uma forma adequada para esta petição, uma vez que eles não poderiam, como os discípulos de João e os essênios, orar "Que Teu Reino venha rapidamente", tendo em conta o fato de que para eles o Messias tinha aparecido na pessoa de Yeshua. Com o decorrer do tempo, a interpretação da frase "Tua vontade será feita", foi ampliada no sentido da apresentação de tudo para a vontade de Elohah, na forma da oração de Rabi Eliezer (século I): "Fazer Tua vontade no céu acima e dar descanso ao espírito daqueles que temem a Ti na terra, e fazer o que é bom a Teus olhos. Bendito seja Tu que ouves oração!" (Tosefta, Bereshit 52:7).

 

        O Kadish dos enlutados também acena, a guisa do consolo, com o advento inevitável do reino da Justiça, anunciado pelo Messias: Exaltado e santificado seja Seu grande nome No mundo que Ele criou de acordo com a Sua vontade. Que ele estabeleça Seu Reino durante a vossa vida e durante os nossos dias, E durante a vida de toda a casa de Israel... Amém.

 

         Apresento, a seguir, uma síntese de paralelos entre o Pai Nosso e passagens de orações litúrgicas e outros textos antigos da literatura judaica:

Pai nosso que estais no céu – Avinu shebashamáyim.  Tsur Yisrael vegoalo “Nosso Pai que está no céu. Rocha de Israel e seu redentor!” (Oração pela paz de Israel, Shacharit de Shabat, Liturgia para Manhã de Sábado) Santificado seja Teu Nome -Itgadal veitkadash sheme rabah. “Seja elevado e santificado Teu grande Nome” (Kadish). Veal culam yibarach veyitromám veyitnassê shimchá malkenú tamid leolam vaed. “E por todas estas coisas seja o teu Nome abençoado constantemente e exaltado e enaltecido, ó Rei nosso, para todo o sempre”.

 

          Este princípio também é encontrado no Talmud, em Shabat 151b, que diz: “Aquele que for misericordioso para com os outros", Ele Desjudaizando Yeshua, os fundadores do Cristianismo, orientados para os gentios, encontraram, em épocas posteriores, muitas maneiras de dissociar Yeshua dos judeus e da religião judaica o mais possível, e de trazer a nova religião para um alinhamento mais condizente com doutrinas e práticas religiosas pagãs aceitas e generalizadas na antiguidade greco-romana.

 

 

 

 

 

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