OS DOIS BODES DE YOM KIPUR

 

Por Moshé ben Shalom

 

Introdução

Minha proposta é expor uma curiosidade relacionada ao julgamento e execução de Yeshua haMashiach (O Messias de Israel). Destaco a priore, o famoso personagem envolto nesta história chamado de Barrabás. O que poucos sabem, é que o nome Barrabás é constituído de duas palavras Bar-Abbba e é de origem aramaica, significa literalmente “Filho do Pai”. Sendo Bar o equivalente em aramaico para Filho e Abba para Pai.

Muito além de ser apenas uma figura coadjuvante no julgamento de Yeshua, Bar-Abba, passará, a partir deste artigo, a prefigurar como protagonista nesta história junto à seu xará Yeshua. Sim, você não compreendeu de forma errada, eu disse xará! Na Bíblia Judaica Completa de David H. Stern, exatamente no livro de Matityahu (Mateus) e somente neste livro), aparece a seguinte informação no capítulo 27 do versículo 15 e 16:

“Ora, por ocasião da festa (de Pêssach) costumava o governador soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse. Nesse tempo tinham um preso notório, chamado Yeshua Bar-Abba.”         Matityahu 27: 15,16

Nesta tradução, aparece o primeiro nome de Bar-Abba, sendo este, nada mais e nada menos que Yeshua! Isto não é nada trivial, é esplêndido e mais do que interessante, pois, no versículo seguinte é possível a partir deste prisma, observar o destaque diferenciado que o autor do livro dá ao referir-se à Yeshua, o nosso redentor. Veja de forma bem nítida, o cuidado para distinguir um personagem do outro:

“Portanto, estando o povo reunido, perguntou-lhe Pilatos: Qual quereis que vos solte? Bar-Abba, ou Yeshua, chamado o Mashiach?"

Ciente que os dois atendiam pelo mesmo nome (Yeshua era um nome muito comum no primeiro século), compreende-se o porquê da ênfase - “Yeshua chamado o Mashiach (Ungido)” ao mencionar o filho de Yossef (José). De de forma implícita, revela dois seres com os mesmo nome; o que não seria de fato um absurdo, pois na própria bíblia, aparecem outros “Yeshuas”. Um exemplo clássico é o mago de Atos capítulo 13 e verso 6, chamado Bar’Yeshua (Barjejeus nas bíblias cristãs), isto é, “Filho de Yeshua”:

“Havendo atravessado a ilha toda até Pafos, acharam um certo mago, falso profeta, judeu, chamado Bar-Jesus”        AT 13:6

Ter Bar-Abba (Barrabás) o primeiro nome e sendo este justamente Yeshua (como sugere a tradução da Bíblia Judaica Completa) é algo plausível, haja vista cumprir uma antiga profecia ritualística no meio sacerdotal em Israel! 


Vaykrá (Levítico)16:2-23

Versos 2-5: - “Disse, pois, o YHWH a Moshé (Moisés): Dize a Arão, teu irmão, que não entre em todo tempo no lugar santo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque aparecerei na nuvem sobre o propiciatório.... E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para oferta pelo pecado..."

Repare que dois bodes eram postos para oferta pelo pecado do povo de Israel, no dia da Expiação (Yom Kipur). Estes bodes eram Idênticos, mesmo porquê, era necessária grande averiguação exigida pelo próprio YHWH para aceitação de um animal como oferta a Elohim. Os mesmos não podiam ter nenhuma mancha, muito menos sarnas ou defeitos. Isto é reforçado quando nos versos 7 e 8 é relatado o sistema de “lança-sorte” para a escolha de qual dos dois bodes seria para o Eterno:

“Também tomará os dois bodes, e os porá perante o YHWH, à porta da tenda da revelação e Arão lançará sortes sobre os dois bodes: uma pelo YHWH, e a outra por Azazel”

Neste caso, os dois bodes necessariamente teriam que atender as características previstas no código de lei judaica por não saber qual dos dois seria o “Escolhido” para YHWH. Assim sendo, temos como vislumbrar os dois personagens apresentados diante do sinédrio, um chamado Yeshua Bar-Abba e o outro Yeshua Ben-Yossef (Filho de José), o Mashiach!

Quando o povo escolheu a Yeshua Bar-abba (filho do Pai) para ser solto, na verdade, sem saber, selecionou Yeshua o verdadeiro Filho do Pai para morrer por expiação dos pecados dos filhos de Israel, a muito profetizado por figuras e sombras das coisas futuras!

UM BODE PARA YHWH E O OUTRO PARA AZAZEL
Outro elemento interessante que surge neste estranho ritual, é a Expressão Azazel. Este nome surge várias vezes no Sêfer Chanoch (Livro de Enoque), encontrado em Qum’ram Israel, referindo-se a um anjo caído, a quem se atribui todo o pecado. Azazel tem em sua raiz etimológica o significado de “O Bode Exilado!" Então, quando a Torá (Lei/instrução) ordena a soltura do bode para Azazel, esta enviando para o Bode exilado. Sabemos, é claro que HaSatan é o bode exilado do seu lugar de origem e principalmente, da presença de Elohim:

“Respondeu-lhes ele (Yeshua): Eu via HaSatan, como raio, cair do céu”

                                                                                                        Lucas 10:18

“E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e HaSatan (O Acusador), que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele....Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Mas ai da terra e do mar! porque o Diabo desceu a vós com grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta”    Guilyana - AP. 12:9-12

O QUE SIGNIFICA EXILAR UM BODE PARA AZAZEL - O BODE EXILADO?

De fato, o bode escolhido (sorteado) para o YHWH, era executado e, com seu sangue, expiava a culpa dos filhos de Israel. O Kohen haGadol (Sumo Sacerdote ou, Sacerdote do Grande), sujava as pontas dos dedos com o sangue do bode aspergindo sete vezes (além do véu), sobre a tampa do propiciatório que estava encima da arca da aliança. Fazendo isto, o sumo sacerdote contaminava o lugar santíssimo (o sangue contamina segundo a Torá) bem como o lugar santo, que da mesma forma, era aspergido sete vezes sobre o altar. As Escrituras enfatizam que sem derramamento de sangue não há purificação de pecados. Logo, o bode para HaShem (YHWH) era sacrificado representando Yeshua o Cordeiro que expia os pecados do mundo! Mas o bode para Azazel, todos os anos, não era sacrificado, mas levado diante do YHWH antes do ritual realizado com o primeiro bode:

“Então apresentará o bode sobre o qual cair a sorte pelo YHWH, e o oferecerá como oferta pelo pecado; mas o bode sobre que cair a sorte para Azazel será posto vivo perante o YHWH, para fazer expiação com ele a fim de enviá-lo ao deserto para Azazel.... 20 Quando Arão houver acabado de fazer expiação pelo lugar santo, pela tenda da revelação, e pelo altar, apresentará o bode vivo; e, pondo as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessará sobre ele todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, sim, todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á para o deserto, pela mão de um homem designado para isso”

É importante realçar, que o “Bode Vivo”, só recebia as transgressões dos filhos de Israel após o sacrifício do primeiro bode, que era para o HaShem. Logo, o bode inocente morria para pagar os pecados de Israel e o bode vivo por imposição das mãos do sacerdote e confissão, recebia sobre si toda a culpa (fazendo dele o responsável pelas iniquidades de todo o povo). O bode para azazel, depois do ritual, era considerado o único responsável (CULPADO) por tudo e devia ser solto no deserto, bem longe do arraial dos israelitas. Isto assinalava em linguagem figurativa que os pecados dos filhos de Avraham (Abraão) haviam sido extirpados do meio do arraial, através da partida do “bode transgressor”!

PARALELISMOS

- Dois cordeiros, dois Yeshuas

Profecia: “Também tomará os dois bodes, e os porá perante o YHWH, à porta da tenda da revelação e Arão lançará sortes sobre os dois bodes: uma pelo YHWH, e a outra por Azazel”                      Vaykrá (Lv) 16:2-5

Cumprimento: Esta profecia se cumpriu em tudo na pessoa de Yeshua. Na ocasião, dois “Yeshuas” foram postos diante do sinédrio e da multidão:

“Logo de manhã tiveram conselho os principais sacerdotes com os anciãos, os escribas e todo o sinédrio; e maniatando a Yeshua, o levaram e o entregaram a Pilatos. Pilatos lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Yeshua: É como dizes.... E havia um, chamado (Yeshua) Bar-Abba, preso com outros sediciosos, os quais num motim haviam cometido um homicídio”                              Marcos 15:1-7

Nota: A palavra Yeshua quer dizer Salvação!

- Sobre os dois foram lançado “sortes”

Profecia: “Arão lançará sortes sobre os dois bodes...”       Vaykrá (Lv) 16:2

Cumprimento: “O governador, pois, perguntou-lhes: Qual dos dois (Yeshuas) quereis que eu vos solte?”      Matityahu (MT) 27:21

UM BODE FOI CONDENADO E O OUTRO LIBERTO

Profecia: “Então imolará o bode da oferta pelo pecado, que é pelo povo, e trará o sangue o bode para dentro do véu.... 16 e fará expiação pelo santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas transgressões, sim, de todos os seus pecados.... 20 Quando Arão houver acabado de fazer expiação....apresentará o bode vivo; e, pondo as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessará sobre ele todas as iniqüidades dos filhos de Israel....e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á para o deserto, pela mão de um homem designado para isso”

Cumprimento: “Ora, por ocasião da festa (Pêssach) costumava o governador soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse. Nesse tempo tinham um preso notório, chamado Yeshua Bar-Abba... 20 Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram as multidões a que pedissem Bar-Abba e fizessem morrer Yeshua. O governador, pois, perguntou-lhes: Qual dos dois quereis que eu vos solte? E disseram: Bar-Abba”


Nota: O texto relata que, “por ocasião da festa”, era costume do governador soltar um prisioneiro por votação do povo. Sabemos que a festa em questão é o Pêssach ( a 'páscoa' judaica), festa do YHWH. Este costume dava-se por uma observação obvia: O Pêssach é a festa onde se comemora a LIBERTAÇÃO DO POVO HEBREU da casa da servidão! Então, como memorial da grande libertação do Egito, os israelitas procuravam por ocasião da festa, libertar um prisioneiro também! Isto tudo ocasionou no cumprimento da profecia ritualística onde um bode era morto e o outro solto.

Conclusão

Não sabemos o que aconteceu com Yeshua Bar-Abba depois de sua soltura, muito embora podemos vislumbrar de longe, que seu fim não deve ter sido dos melhores, uma vez que na Torá o bode solto era entregue aos cuidados de HaSatan. A antiga tradição judaica diz que o bode para Azazel, isto é, para o “bode exilado”, era precipitado com vida em um penhasco. Mas nada podemos afirmar com certeza. Porém, como toda a profecia se cumpriu de forma maravilhosa e exemplar, podemos dizer que Yeshua Bar-Abba foi achado culpado diante de Elohim.

Uma outra curiosidade, é que como Bar-Abba levou todas as maldições sobre si, então essa maldição pairava sobre ele e todos os que o cercavam.... Se é coincidência ou não, veja o que aconteceu quarenta anos depois com os Zelotes: "Após a destruição do Segundo Templo pelos romanos no ano 70, rebeldes Zelotes fugiram de Jerusalém para Massada, NO DESERTO. Os romanos então construíram uma enorme rampa pelo lado oeste do platô e destruíram a muralha. De acordo com o historiador Flávio Josefo, os rebeldes cometeram suicídio em massa para não serem capturados. A seita dos zelotes é referida por Flávio Josefo COMO VIL E PERVERSA, que a responsabiliza pela incitação da revolta que conduziu à destruição de Jerusalém e do Templo de Salomão," (Wikipedia).

A SEGUNDA COINCIDÊNCIA É QUE ESTA FORTALEZA DOS ZELOTES EM MASSADA FICAVA NO ALTO DE UMA MONTANHA, E LÁ OS ZELOTES FORAM MORTOS!!                           

Massada é uma "montanha de cume plano de

formato losangular" que é "elevada,

isolada e aparentemente inexpugnável". 

O terreno à volta torna difícil o acesso ao

topo, deixando apenas um estreito caminho

que não comporta sequer duas pessoas lado-a-lado. Este caminho é conhecido como "A Serpente" por "serpentear pelo trajeto até o cume com muitos engenhosos zigue-zagues". A fortaleza construída no topo é considerada como o lugar onde David teria descansado depois de ter fugido de seu sogro, o rei Saul. Josefo conta-nos que lá, os zelotes se matram anti o inimigo            (Texto destacado é uma contribuição de Luiz Felippe Cavalcanti)

Yeshua nosso Mashiach, tendo sofrido a morte por nossas enfermidades espirituais, levou consigo nossos pecados, pois que não ficamos sem um cordeiro a apresentar diante do Eterno; seu sacrifício é atemporal e sua validade é eterna. Ele cumpriu a exigência da Torá: Ela, requer a morte do transgressor! O fato de Elohim ter enviado seu filho inocente (como ovelha limpa, pura e sem mancha) para morrer e cumprir essa exigência, nos garante absolutamente, que a Lei é imutável. Pois se assim não fosse, não necessitaria fazer Yeshua sofrer tanto como sofreu e Elohim, certamente faria de outra maneira o resgate da humanidade, que jazia sob o domínio do Acusador. Mas, diante do tribunal de Elohim, HaSatan receberá a culpa e a responsabilidade por toda a transgressão da Torá, recebendo por isto, a aniquilação eterna! Os santos justificado pela morte de Yeshua, apontarão o culpado por sua antigas iniquidades, HaSatan. O que aconteceu no julgamento de Yeshua e nas cerimônias anuais de Yom Kipur, retrata o grande e terrível Dia do verdadeiro e definitivo YOM HAKIPURIM (o DIA DAS EXPIAÇÕES)!

NOTA: Alguns anti-Yeshua tentaram veementemente refutar o artigo por entender (não sei como) que o bode PARA Azazel é uma expiação ao Eterno... Porém, este argumento falha nos seguintes pontos:

Não houve derramamento de sangue por parte deste bode;

Ele foi rejeitado e banido da presença do povo israelita já perdoado pela expiação do outro bode;

os sacrifícios obrigatoriamente, teriam que passar por degolas e, sacrificar fora do Tamid, era como que sacrificar aos demônios, segundo a própria Torá;

 Cumprimento profético nos dois Yeshuas colocados lado a lado para que um fosse morto e o outro solto e banido.  O Yeshua solto era da seita dos zelotes. O zelotes morreram em massada num auto de um penhasco (coincidência?) Atento a isso, Shaul haShaliach (Paulo) afirma que Hashem falou de muitas formas e maneiras à seu povo. A bíblia de fato é messiânica!!!

Mas como o sacrifício e de Yom kipur foi cumprir-se em Pêssach?

Há os que argumentam que Yeshua morreu em Pêssach e não no Yom Kipur! Bom, acredito que Yom kipur aponta para o Pêssach e o Pêssach igualmente, aponta para Yom Kipur. Vejo Yeshua, com sua morte, cumprindo o julgamento da expiação de Kipur em Pêssach. Todavia, vejo igualmente o cordeiro do Kipur morrendo na primeira Pêssach, para que o juízo viesse aos transgressores em mitsraim - Egito! Na realidade, acredito que as chagim são intrínsecas!

Yeshua nosso Mashiach, tendo sofrido a morte por nossas enfermidades espirituais, levou consigo nossos pecados, pois que, não ficamos sem um cordeiro a apresentar diante do Eterno; seu sacrifício é atemporal e sua validade é eterna. Ele cumpriu a exigência da Torá: Ela, requer a morte do transgressor! O fato de Elohim ter enviado seu filho inocente (como ovelha limpa, pura e sem mancha) para morrer e cumprir essa exigência, nos garante absolutamente, que a Lei é imutável. Pois se assim não fosse, não necessitaria fazer Yeshua sofrer tanto como sofreu e Elohim, certamente faria de outra maneira o resgate da humanidade, que jazia sob o domínio do Acusador. Mas, diante do tribunal de Elohim, HaSatan receberá a culpa e a responsabilidade por toda a transgressão da Torá, recebendo por isto, a aniquilação eterna! Os santos justificado pela morte de Yeshua, apontará o culpado por sua antigas iniquidades, HaSatan. O que aconteceu no julgamento de Yeshua e nas cerimônias anuais de Yom Kipur, retrata o grande e terrível Dia do verdadeiro e definitivo YOM HAKIPURIM (o DIA DAS EXPIAÇÕES)!

Moshé ben Shalom - (Escrito em 2011)