ESTUDO APROFUNDADO SOBRE BRIT MILÁ​

(O PACTO DA CIRCUNCISÃO)

Moshé ben Shalom – fundador e Líder da Congregação Israelita Yeshua Chai. Mentor e Articulador do site Ohel Mashiach – Tenda do Messias (ww.tendadomessias.com)

 

ESTUDO GRATUÍTO – Proibido vender ou desvincular o artigo do nome do seu autor. 

Shalom v’Chessed – Paz e Misericórdia!

BRIT MILÁ – CIRCUNCISÃO

 -INTRODUÇÃO

        Embora alguns acreditam que os hebreus tenham assimilado a prática da circuncisão dos egípcios, não há sinais consistentes que apoiem essa teoria. O mais provável é que os próprios hebreus tenham, desde suas raízes mais remotas da época patriarcal, inserido tal prática em seus costumes, de maneira independente à quaisquer outros povos, mantendo a tradição em suas práticas religiosas até a presente época.

       No Antigo Israel, a circuncisão, obrigatoriamente tinha de ser realizada no 8º dia do nascimento. Tem o sentido de um sinal da aliança entre Adonai Elohá e Abraão. É um portal de entrada à seus descendentes numa ritualística - rito de inserção no povo eleito. Elohim  terá tornado obrigatória a prática da circuncisão masculina para Abraão um ano antes de nascer Isaque. Todos os homens da casa de Abraão, tanto seus descendentes como dependentes, estavam incluídos e todos os escravos receberam em si este sinal do pacto, com o qual entregavam a Elohá a sua aliança de carne (anel prepucial), mostrando a reciprocidade deste ato de fé no corpo (Levítico).
       A desconsideração deste requisito era punível com a morte. A circuncisão torna-se um requisito obrigatório na Lei dada a Moshé (Moisés) (Levítico 12:2-3). Isto era tão importante que, mesmo que o 8º dia calhasse num shabat (7º dia de descanso na semana), a circuncisão teria que ser realizada. No primeiro século da Era Cristã, era costume social entre os judeus dar nome ao recém-nascido do sexo masculino no momento da circuncisão. Mas os profetas do Tanach ("Antigo Testamento") mostravam que mais importante do que a circuncisão literal é a circuncisão figurativa ou «circuncisão do coração» (Deuteronômio 10:16; Deuteronômio 30:6; Jeremias 4:4; Jeremias 9:25) - Veremos isso adiante! Aos judeus insensíveis às palavras dos profetas chamam-se figurativamente «incircuncisos» (Jeremias 6:10; Atos 7:51).

Sempre no oitavo dia

      Com base na consideração das determinações de vitamina K e de protrombina, o dia perfeito para se realizar uma circuncisão é o oitavo dia. Dr. S. I. McMillen, 1986, pág. 21, em inglês. Seguir esta regra ajudava a evitar o perigo de uma grande hemorragia. A circuncisão era usualmente feita pelo chefe de família. Mais tarde, passou-se a recorrer a uma pessoa especialmente preparada. Um mohel, no caso dos judeus, geralmente um médico, circuncidador, ou então uma pessoa que tenha conhecimento da cirurgia, e das rezas realizadas, no processo. Elohá instituiu este ato para distinguir o seu povo de outros povos, sendo que o homem deveria obedecer ao mandado Dele. Uma outra interpretação aponta para uma prática de higiene, para poupar o povo a doenças indesejáveis, tornando-a uma prática de fé.

A circuncisão de Yeshua.

       De acordo com a Bíblia, completados os oito dias que determina a Lei  e tradição judaica, Yeshua foi apresentado ao templo de Jerusalém por sua família para ser circuncidado, quando então foi abençoado por Shinon (Simeão) e Hanah (Ana).

A Influência da cultura grega 

      A influência da cultura grega começou a predominar no Médio Oriente e culminou no abandono da circuncisão por muitos povos. Mas, quando o rei sírio Antíoco IV Epifânio proscreveu a circuncisão, deparou-se com mães judias dispostas antes a morrer do que a negar aos seus filhos o sinal do pacto. Anos mais tarde, o imperador romano Adriano (117-138) obteve a mesma reação quando proibiu aos judeus circuncidar seus recém-nascidos. No intuito de evitar zombaria e ridículo, alguns atletas judeus que desejavam participar nos jogos helenísticos procuravam tornar-se "Incircuncisos" por meio de uma operação destinada a restabelecer certa semelhança de prepúcio.

A circuncisão e o cristianismo 

      Com a fundação do cristianismo, a circuncisão deixou de ser um requisito religioso obrigatório para os cristãos, embora não fosse expressamente proibida (Atos 15:6-29). A perspectiva da Igreja Católica é contrária à circuncisão desde os primeiros dias. Conforme o Papa Eugênio IV oficializou na Bula de União com os Coptas, de 1442, a Igreja manda a todos os seus fieis que «…não pratiquem a circuncisão, seja antes ou depois do batismo, pois, ponham ou não sua esperança nela, ela não pode ser observada sem a perda da salvação eterna.

Circuncisão como medida profilática - Circuncisão no mundo

      Os defensores da circuncisão afirmam que existe um valor prático na circuncisão masculina, como ato médico. Como medida de higiene, há quem defenda que é útil para impedir a acumulação de uma secreção genital chamada esmegma, no espaço entre a glande e o prepúcio que a recobre. Se não for removido, o esmegma torna-se mal cheiroso e campo de cultivo de bactérias, que causam grande irritação e são foco de infeções. O esmegma acumula-se também no clitóris e nos pequenos lábios, o que justificaria a combatida circuncisão ou mutilação genital feminina. É realizada em certos casos de fimose e parafimose ou quando a glande masculina não pode ser libertada. Para estes últimos casos, existe, como alternativa a circuncisão, uma terapia local de creme esteroide que parece ser eficaz; e, mesmo quando esta falha, há ainda a prepucioplastia, uma cirurgia que corrige o prepúcio sem o remover.

- PARTE II

         Anteriormente, abordei algumas questões técnicas sobre a Brit Milá. Apesar de ser muito claro nas Escrituras, devido as más interpretações teológicas cristãs, tumultuou-se bastante; agregado é claro, por outro lado, a ignorância rabínica quanto a Yeshua haMashiach. Nós Messiânicos/Nazarenos, estamos no meio de todo este fogo cruzado. Por um lado, os teóricos da fé cristã, os quais negam qualquer validade e eficácia da Brit Milá em nossos dias, para os crentes no Messias. Por outro, os teóricos da fé judaica que, igualmente, negam qualquer eficácia e méritos dos que creem em Yeshua haMashach. É de se notar que, para quem não está nos dois extremos, precisará assumir uma tremenda serenidade para fazer a função "cola Super bonder" e intermediar às polarizações.


ENTENDA A QUAL GRUPO VOCÊ PERTENCE

1) Saiba diferenciar um israelita de um israelense

a) Israelita é um descendente do povo de Israel, nascido ou não em Israel;

b) Israelense é um natural do atual Estado de Israel, fundado em 1948, sendo ele israelita ou não. Exemplo: Um casal de Japonês sem antecedência judaica, mas com cidadania israelense, poderá ter um filho em Israel. Esta criança seria um israelense mas não um israelita. Por fim, o mais comum é, um israelense israelita, isto é, um natural do Estado de Israel que também é um descendente do povo santo.

       Esta classificação é sumariamente importante para que você compreenda este estudo, principalmente ao adentrarmos na Brit Chadashá (vulgo Novo Testamento), onde estudaremos as cartas do rav Shaul haShaliach (vulgo Paulo), veremos uma distinção de classes e a quem se refere em cada contexto específico. Não confundir isso, é a chave para o entendimento!

A BRIT MILÁ É UM PACTO ETERNO ENTRE OS FILHOS DE ISRAEL

“Esta é a minha B’RIT (aliança), que guardareis entre mim (o YHWH) e vós (os Israelitas), e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. Circuncidar-vos-eis na carne do prepúcio; e isto será por sinal de pacto entre mim e vós. A idade de oito dias, todo varão dentre vós será circuncidado, por todas as vossas gerações, tanto o nascido em casa como o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua linhagem. Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; assim estará o meu pacto na vossa carne como pacto perpétuo”                                                                                              Bereshit - Gênesis 17: 11-13

Ficou claro aos atentos que a Brit Milá é uma Aliança atemporal, (não sujeita ao tempo), estabelecida naqueles dias. Nada e nenhuma ação, como a messiânica por exemplo, pode invalidar este pacto. Fica ainda mais evidente quando lemos: “...e a tua descendência depois de ti”.

 

A BRIT MILÁ – CIRCUNCISÃO – É ESTATUTO PERPÉTUO PARA O ESTRANGEIRO QUE VIVE EM ISRAEL

“...tanto o nascido em casa como o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua linhagem. Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; assim estará o meu pacto na vossa carne como pacto perpétuo”

A palavra utilizada para se referir ao estrangeiro, nesta passagem é: Necar – "Um estrangeiro". Sendo assim, entende-se que todo estrangeiro estabelecido em lar judio, em Israel, deve circuncidar-se.

A NÃO CIRCUNCISÃO LEVA AO BANIMENTO E MORTE PELO MAIOR TRIBUNAL EXISTENTE

Sabemos que há pecados que um Bêith Din – Casa do Juízo  Terreno, pode julgar e decidir à causa. Todavia, há transgressões que implicam na intervenção do Eterno e do Tribunal Superior Divino e a incircuncisão da carne é uma, veja:

“Mas o incircunciso, que não se circuncidar na carne do prepúcio, essa alma será extirpada do seu povo; violou o meu pacto”

Ob.: É obvio que estamos falando do contexto já supracitado, isto é: Dos filhos de Abraão na carne. Peço que tenhas paciência que já, já, entraremos nos tão discutidos textos da Aliança Renovada – “Novo Testamento”. Comecemos pela base, não pelo telhado!

UM INCIRCUNCISO NÃO PODE CELEBRAR O PÊSSACH – A CEIA QUE COMEMORA A INDEPENDÊNCIA ISRAELITA

“Quando, porém, algum estrangeiro peregrinar entre vós e quiser celebrar a páscoa ao YHWH, circuncidem-se todos os seus varões; então se chegará e a celebrará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela”                                                                         Shêmot - Êxodos 12:48

      Antes que bata um desespero nos iniciantes, quero alertar que o Pêssach é uma das chagím – festas instituídas para serem celebradas em Israel. É bem verdade que tivemos o primeiro Pêssach no Egito e outros, pelo menos um. que temos registrado no deserto. No entanto, fica evidenciado no Torá, por todo o serviço religioso templário, que não se pode celebrar o Pêssach fora dos limites geográficos israelitas. Igualmente Sucot – a Festa das Cabanas, – foi iniciada com a habitação hebreia por 40 anos no deserto, mas que foi estabelecida para a Eretz Israel e só lá. Ah, uma inevitável pergunta surge: Mas então, por que vejo judeus de todo o mundo celebrando o Pêssach fora de Israel? Simples, porque todo judeu sabe que não há mais Templo afim que se realize o sacrifício pascal, como descrito no Torá. Ainda mais sabendo que a prática em relação a festa é apenas um MEMORIAL da festividade e não à própria. Cabe, igualmente para Sucot; aqui (Brasil) celebramos somente um singelo MEMORIAL; do contrário, seria uma baita transgressão! Sendo assim, se por acaso um judeu ortodoxo tentar ilegalizar qualquer cerimônia realizada por sua comunidade, no dia 14 de Aviv, com a premissa de existir incircuncisos no local (o que não é difícil, nem num e nem noutro), se faz necessário lembra-lo que a celebração realizada é apenas um memorativo, sem nenhuma pretensão de cumprir Torá. Tão somente, um ato de demonstração de ahavá (amor) às datas solenes. Reforce que nem você, ele ou qualquer outra pessoa, tem legitimidade para realizar o Pêssach integralmente no Brasil ou outro lugar do mundo que não seja Israel. Não adianta colher um mosquito e deixar passar um camelo não é mesmo?

Ob.: É bom que se faça o memorial de Pêssach! Meu estímulo não é que pare, de modo algum, pelo contrário; quero conscientizar e colocar os pingos nos is. Se sua comunidade for de judeus messiânicos e gentios messiânicos e forem todos circuncidados, meus parabéns. Se não, cheguemos lá galgando texto por texto!

PARTE III

      Depois de entendermos que a Brit Milá é um pacto perpétuo para os filhos de Israel, bem como para o estrangeiro habitante num lar judio (em Israel), dissertaremos também sobre a extensão espiritual e generalizada que este termo ganhou entre os filhos de Avraham. Incircuncisos, passou a designar, com o passar do tempo, muito mais que um goy (gentio), que automaticamente já correspondia ao paganismo, mas começou a ser utilizado pelos profetas a todo israelita rebelde e insubmisso ao Eterno. Daí, caiu no uso comum palavras como: Incircunciso de lábios (Ex 6:30), de ouvido (Jr 6:10), do coração (Ez 44:7), mesmo aos circuncidados na carne. A circuncisão agora abrange todo um aspecto de condição espiritual. Veremos então:

“...Se então o seu coração incircunciso se humilhar, e tomarem por bem o castigo da sua iniquidade, eu me lembrarei do meu pacto com Iaakov (Jacó), do meu pacto com Itschak (Isaque), e do meu pacto com Avraham (Abraão)...”                                                                                              Vaicrá – Levítico 26: 41,42

“Desperta, desperta, veste-te da tua fortaleza, Sião; veste-te dos teus vestidos formosos, ó Ierushalayim (Jerusalém), cidade santa; porque nunca mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo”                           Isaías - Yeshayahu 52:1

       As palavras no original são: Tamê para impuro e Arel, um adjetivo para gentio. Literalmente, não entrará gentios (pagãos) e impuros, não propriamente dito, incircuncisos. É que com o passar do tempo, a palavra gentio incorporou o sinônimo de incircuncisão!

“Eis que vêm dias, diz o YHWH (siglas em transliteração para o Nome do Eterno), em que castigarei a todo circuncidado pela sua incircuncisão”                                                                                                                                 Yirmeyahu (Jr) 9: 25

      Em algumas versões como a Bíblia Hebraica Stuttgartensia traz: “Eis que vêm dias, diz o YHWH, em que visitarei a todo o circuncidado (Kal) com o incircunciso beARALá (gentio)”

- Nota: Deixei em maiúsculo a raiz ARAL!

“Porquanto introduzistes estrangeiros, incircuncisos de coração e incircuncisos de carne, para estarem no meu santuário, para o profanarem...”                                                                                                                                  Ezequiel 44:7

“Areley Lev veareley vasar” - Estrangeiro/incircunciso do coração e estrangeiro/incircunciso de carne. O contexto narra o descaso e profanação pelos líderes contemporâneos de Ezequiel para com o Templo. Pessoas impuras estavam tomando status no Beith haMikdash (Casa Separada, o Templo em Israel). Como se não bastasse serem incircuncisas na carne do prepúcio, não obstante o eram também de coração. Mas o que isto significa? Uma pessoa poderia ser circuncidada na carne, muito embora, rebelde à Torá! Daí a sentença proferida por Adonay, através de seu naví (profeta) Ezequiel no passuk (verso) 9:

“Assim diz o YHWH Elohá: Nenhum estrangeiro, incircunciso de coração e carne, de todos os estrangeiros que se acharem no meio dos filhos de Israel, entrará no meu santuário”

     Aqui soma-se as palavras Nekar e Erel. Nenhum estrangeiro e, estrangeiro incircunciso. Remonta às duas formas de incircuncisão, a da carne e, caso fosse circuncidado na carne, mas sendo rebelde para com a Lei, não o era de coração. Este não entrará para prestar Avodat Hashem – Serviço religioso ao Pai. Continuando no texto, reza assim:

“Nenhum estranho, incircunciso de coração ou incircunciso de carne, entrará no meu santuário, dentre os estranhos que se acharem no meio dos filhos de Israel”

      Ainda assim, o contexto narra sobre o Ger que reside na Eretz Israel (Terra de Israel). Não é difícil entender isso, por considerar que o Templo somente reside (residirá) lá.

     Agora que entendeu sobre a quem se aplica a circuncisão, isto é, ao israelita natural (ou não) de Israel, e ao estrangeiro que reside na Terra Santa. Este é um pacto eterno e irrevogável. A partir desta consciência adquirida até chegarmos aqui, começaremos a entrar na Brit Chadash, os livros dos chamados Novo Testamento e entender a questão dos gentios que se aproximam do Eterno por meio de Yeshua haMashiach. 


      Antes de falarmos dos seguidores de Yeshua, insta dizer que o próprio Yeshua, como um legítimo israelita (ou judeu na linguagem moderna), foi circuncidado aos oito dias de vida, conforme a lei do Eterno. É neste dia, que todo varão macho recebe seu nome secular e o dele foi, como sabemos: YESHUA – SALVAÇÃO! Haleluyah! Este pequeno adendo é sumariamente importante, já que estamos numa cultura majoritariamente ignorante acerca do próprio messias e rei judeu!

COMEÇANDO A DESEMBARAÇAR O LIVRO DE GÁLATAS

     No segundo capítulo, o rav Shaul (‘Paulo’), narra sua eminente ida a Yerushalayim para expor na assembléia nazarena, onde chegou sua própria consciência quanto à Brit Milá em relação aos goym (gentios). Isto revela um profundo respeito do rav aos achim (irmãos) e líderes messiânicos - os talmidim (seguidores) de Yeshua da parte da circuncisão, isto é, os judeus messiânicos de Jerusalém. Confira:

“Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo a Tito. E subi devido a uma revelação, e lhes expus a boa nova QUE PREGO ENTRE OS GENTIOS...3 Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, EMBORA SENDO GREGO, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos FALSOS IRMÃOS INTRUSOS, os quais furtivamente entraram a ESPIAR NOSSA LIBERDADE, que temos no Mashiach Yeshua, para NOS ESCRAVIZAR. Ora, daqueles que pareciam ser alguma coisa, esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me acrescentaram; antes, pelo contrário, quando viram que a mensagem da INCIRCUNCISÃO (pregação aos goym) me fora confiado, como a Kefá (Pedro) o da CIRCUNCISÃO (pregação aos yehudim)”              Gálatas 2:1-8

 

      A partir deste ponto, a Kalal Nazarena - Congregação de seguidores de Yeshua haMashiach - passou a enfrentar um problema inédito. O que fazer acerca dos gentios que se achegavam para a fé em Yeshua haMashiach e que vivem fora de Israel? Shaul foi procurar conselho, principalmente em Yochanam (João), Ya’akov (Tiago) e Kefá (Pedro), os tais que ele considerava ser as maiores autoridades messiânicas da kehilat de Yeshua. Não apenas se aconselhar, mas também persuadir. Ele expôs sua visão com muita convicção. Quero salientar que o problema não era as críticas externas dos “ortodoxos”, mas vinha, segundo o próprio rav Shaul, dos FALSOS IRMÃOS INTRUSOS, ou seja, dos israelitas messiânicos que ficavam a observar a "liberdade" que os gentios messiânicos tinham em Yeshua quanto à halachá, bem como algumas questões amplamente direcionadas aos judeus. Por isso, na primeira parte do artigo, eu disse que seria importante entender a divisão das classes. Aqui estamos falando não do Ger (estrangeiro crente (ou não) em Yeshua e que vive em Israel), mas de gentios crentes em Yeshua que vivem em seus próprios países. Shaul, entendeu esta diferença, mesmo porquê, ele é um expert em todos os pontos da Lei, mais que todos os outros juntos. Rav Shaul, narra como foi recomendado pelos demais líderes achim:

“...e quando conheceram o favor que me fora dada, Ya’acov (Tiago), Kefá (Cefas) e Yochanam (João), que pareciam ser as colunas, deram a mim e a Barnabé as DESTRAS DE COMUNHÃO, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão (Judeus); recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres; o que também procurei fazer com diligência”

      Até aqui, Shaul teve êxito e houve pleno acordo diante da assembléia messiânica. A expressão usada por Shaul, DESTRA DA COMUNHÃO, significa que ele tinha o aval para não IMPOR a Brit Milá aos gentios em país estrangeiro, por parte dos irmãos judeus e líderes messiânicos, por si entender que não eram (os gentios) filhos de Avraham e não tinham as mesmas implicações dos estrangeiros que viviam na terra de Israel quanto à brit Milá, principalmente pela isenção dos mesmos ao Templo Santo. Lembrando a você, que já abordei sobre o que realmente implica a frase: “E uma só lei terão o natural e o estrangeiro que peregrina no meio de vós”. Já de antemão, dissertei que ter uma só lei não implica em ter as mesmas responsabilidades. Como assim? Um exemplo é, os outros israelitas não tinham as mesmas implicações que tinham os levitas quanto à exigência matrimonial. Os Kohenim leviím (Sacerdotes levitas) não podiam casarem-se com viúvas ou mulheres repudiadas, diferentemente dos demais israelitas de outras tribos. Mas tinham todos, uma só Torá. Responsabilidades diferentes, partes distintas no processo do conjunto de leis que formavam a sociedade israelita enquanto nação. Nas leis cívicas, todos tinham a mesma implicação, matou, roubou, extorquiu, todos sem exceção, deviam ser igualmente julgados. Com esta frase o Eterno está garantindo direitos igualitários quanto a lei cívica em Israel. Em outras palavras, não os explorarás! O que estou trazendo, no que tange as palavras do rav Shaul, é outra situação: Gentios que aderiram a fé em Yeshua haMashiach e que residem foram da eretz Israel. Eles terão obrigações perante a Torá? Sim. Mas rosh, e quanto a este ponto da Brit Milá como mitsvá para eles? Acho que você está começando a entender. Mas ainda terá muita coisa para explorarmos, tenhamos calma e atenção, não tomemos partido ainda!

Continuando a narrativa do rav Shaul em Gálatas 2:11:

“Quando, porém, Kefá (Pedro) veio a Antioquia, resisti-lhe na cara, porque era repreensível. Pois antes de chegarem alguns (judeus messiânicos) da parte de Ya’acov (Tiago), ele comia com os gentios (messiânicos); mas quando eles chegaram, se foi retirando e se apartava deles, temendo os que eram da circuncisão (judeus crentes em Yeshua). E os outros judeus (messiânicos) também dissimularam com ele, de modo que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação”

      Pensa num homem que ficou bravo! Rav Shaul tinha da parte deles, principalmente de Kefá (Pedro), o Selo que ele mesmo denominou, A DESTRA DA COMUNHÃO - isto é, um comum acordo da parte da Congregação de judeus Messiânicos de Yerushalayim, no que mais tarde, o próprio Kefá foi comungar e apreciar os frutos dos esforços do chaver Shaul perante os novatos gentios messiânicos. Ficou todo à vontade, comendo e bebendo com eles. Kefá sabia que toda a lei alimentícia de Kashirut foi implantada por Shaul e que não corria nenhum risco de ficar impuro fisicamente. Não havia ali comida do sufocado, iguarias das idolatrias, sangue, adúlteros (todas estas questões que envolvem contaminação física). Mas quando chegou os irmãos messiânicos circuncidados, da parte de Ya’acov, Kefá afastou-se dos irmãos gentios messiânicos, angariados por Shaul, apenas por receio de críticas. O rav Shaul o enfrentou cara a cara e o chamou de dissimulado. Shaul ficou ainda mais tristonhamente surpreso, quando percebeu que até o seu fiel amigo Barnabé, começou a debandar de sua convicção anterior, para agradar os outros.

       Entenda que até aqui, havia um acordo selado entre Shaul e a liderança judaico-messiânica de Jerusalém, quanto como trabalhar com os novatos gentios messiânicos convertidos, principalmente acerca da não imposição da Brit Milá aos mesmos. Embora isso ficasse claro, também jamais foi cogitado a proibição da Brit Milá aos memoss. Nem imposição e nem a proibição! Shaul chamou isso de "A LIBERDADE NO MASHIACH"! Mas na prática, infelizmente, ocorreu um triste incidente, toda essa dissimulação por parte de Kefá e dos outros perante os judeus messiânicos da circuncisão. Houve até um forte protesto do rav Shaul, ao ver que mesmo com todas as provas da aceitação dos messiânicos gentios pela Ruach haKodesh (Espírito do Eterno), na prática, ainda tinha muito preconceito por parte dos judeus nazarenos. Talvez, tudo era muito novo para eles. Mas Shaul aponta que os FALSOS IRMÃOS era o motivo de todo o eventual desentendimento.

- PARTE  IV 

        Uma vez explicado o que ocorreu no primeiro século da era messiânica, de como a assembléia messiânica deu o aval conhecido como A DESTRA DA COMUNHÃO para a obra que o rav Shaul realizava dentre os goym no estrangeiro, bem como Shaul defendera firmemente a questão dos goym achegarem-se pela fé no Mashiach, deixando suas idolatrias, convertendo-se ao Único Elohá e passando a crer também na ressurreição dos justos. Também, sobre a recomendação para que eles praticassem intensamente a Tzedaká (Justiça Social), inclusive, com recomendação da própria assembleia messiânica de Jerusalém:

“...e quando conheceram o favor que me fora dada, Ya’acov (Tiago), Kefá (Cefas) e Yochanam (João), que pareciam ser as colunas, deram a mim e a Barnabé as DESTRAS DE COMUNHÃO, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão (Judeus); recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres; o que também procurei fazer com diligência”

     Dito isto, espero esclarecer que o rav Shaul jamais defendeu que os gentios messiânicos vivessem sem Torá. Isto não é verdade. Como grande rav que era, este gigante da Emuná (fé), entendia que a Brit milá era uma obrigatoriedade para os filhos de Abraão e seus servos que residem na terra de Israel. Frente a frente com Shaul, a assembléia de Jerusalém, no tocante a isso, não teve argumentos contrário a visão defendida pelo enviado dos gentios. Logo, a comunidade nazarena o abençoou. Porém, alguns novos judeus convertidos a Yeshua, que eram legalistas e extremistas quanto à circuncisão, queriam interferir na sua obra. O rav dos goym, se reporta a estes desta forma:

“Ora, daqueles que pareciam ser alguma coisa, esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me acrescentaram”

     Parece até que estamos vivendo os dias de Shaul. Muito de nós desbravamos um campo, tiramos pessoas de tanta idolatria e confusão, mas de tempo em tempo se aproximam pessoas com aparência de sabedoria, as quais damos créditos e pensamos serem alguma coisa. Mal chegam na bêith que, por ela nada fizeram, geralmente fantasiados e cheios de palavras filosóficas, mas que nada acrescem, só diminui. Cuidado com estes andarilhos espirituais!

        Voltando para o livro de Gálatas, Shaul discorre sobre pontos muito mal compreendidos até hoje. Os atuais "homens da capa preta", judeus ortodoxos, acusam-no de libertinagem, bem como, promotor da quebra da Torá. Já os cristãos, os "homens da crus vazia", usam ilegitimamente de suas palavras para combaterem a própria Torá. Vamos aos textos, lembrando que é a continuação de tudo que já mencionamos anteriormente, agora no capítulo 5:

“Para a liberdade Mashiach nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão”      Verso1

       Quando ele usa o pronome nós, Shaul se inclui na causa dos goyim, muito embora sabemos que ele era israelita descendente de Avraham e quanto à Brit Milá, não poderia escusar-se já que tinha dupla nacionalidade. Pelo contrário, foi circuncidado ao oitavo dia conforme a Lei. Então, o que quis dizer ao mencionar “o Mashiach nos libertou”? Obviamente, do Chatá (pecado)! Yeshua veio nos libertar das amarras do pecado e ele mesmo explica que todo pecado é transgressão da Lei. Por outro lado, o que seria voltar ao julgo da escravidão? Claramente, não é seguir a Torá, mas as vãs filosofias humanas. É servir debaixo da tutela de falsos rabinos e suas humanas teses. Os gentios em seu paganismo deliberado, sempre serviram as fantasiosas idolatrias pagãs, meramente humanas. Shaul, sabia muito bem em que consistia a halachá (tradição oral) judaica de sua época e como igualmente, nociva a fé genuína. Como bom fariseu que tinha sido, conhecia todo fardo adicionado a Torá. Disso ele estava alertando os novatos da fé! Prossigamos:

“Eis que eu, Shaul, vos digo (aos gentios messiânicos) que, se vos deixardes circuncidar (aceitar a brit milá por persuasão), Mashiach de nada vos aproveitará. E de novo testifico a todo homem (gentio messiânico no contexto) que SE DEIXA circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei”

      Obviamente, um gentio que vivia fora de Israel, não sendo da zerá (semente) de Abraão, mas que recebera ao Mashiach pelo ato de crer e estava aprendendo uma nova forma de viver, de agir, se DEIXASSE circuncidar por extremistas (legalistas), evidentemente Yeshua de nada aproveitaria aquele ato. De modo nenhum, Shaul fere a importância da Brit Milá, mas apenas relata que ela, usada ilegitimamente e fora do seu contexto, não agrega em nada. Pelo contrário, esses falsos irmãos intrusos, obrigaria os mesmos a viverem como prosélitos das halachot judaicas. Por isso, em outras palavras, Shaul os adverte: vocês serão obrigados a guardar toda a Torá e isso é algo ilegítimo dentro da própria Torá. Existem leis e leis e esta não vos é obrigatória! Assim, todas as outras leis específicas para judeus ou estrangeiros em Israel, serão aplicados a vocês. Vocês não têm a obrigatoriedade de levarem dízimos para manter os levitas, não precisam observar o jubileu, há coisas que são de aspecto ligados a própria terra de Israel ou a carne de um israelita. Resumindo, Shaul percebeu que neste caso, a brit milá estava sendo exigida de forma ilegítima e obrigatória, não opcional!

“Porque no Mashiach Yeshua nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor”                                             Verso 6

      Jamais o rav invalidaria o pacto da brit milá, ele conhecia muito bem o Tanach (AT), jamais atentaria contra ele. Ele está dizendo que um judeu natural não deve se vangloriar de sua própria Brit Milá enquanto santidade individual. Por quê? Ora, Shaul está lembrando-os que a circuncisão é uma mitsvá cumprida pelos pais aos filhos, não pela própria pessoa! Sendo assim, é uma condição imposta a todo israelita desde recém-nascidos, feito ainda quando os mesmos nem sequer tinham consciência de Torá. Logo então, por que se vangloriar disso? O que contará para o Mashiach é sua circuncisão do coração, que é o temor aos mandamentos, decidir ser um Tsadik – Justo, uma vez que já eram circuncidados na carne e isso não era mérito algum deles, mas dos pais. É neste aspecto que o rav está fazendo valer seu perfeito raciocínio. Quanto aos gentios messiânicos e que vivem fora das fronteiras de Israel, sua circuncisão não era considerada incircuncisão! Todos deviam se vangloriar é de servir em ahavá (amor), respeitando Hashem e o próximo.

      Agora fica claro, que Shaul jamais invalidou a importância da Torá e muito menos, da Brit Milá, se usada em seu devido contexto. Verso 10:

“Eu, porém, irmãos, se prego ainda a circuncisão, por que ainda sou perseguido?”

      Shaul deixa claro que jamais pregou contra a validade da Brit Milá. Afirma que pregava a mesma, mas em seu devido contexto e mesmo assim, ainda era perseguido pelos “ortodoxos" de seus dias. Não obstante, também estava sofrendo pressão dos judeus messiânicos quanto aos gentios messiânicos que ele angariava.

         Já aconteceu contigo, caro leitor(a), de tentar colocar os pingos nos is e todos ficarem contra você? Foi mais ou menos isso o que ocorreu com Shaul haShaliach. Ele era tido como um traidor por muitos irmãos de fé e irmãos de sangue também.

         No verso 13, Shaul pondera as coisas para os gentios messiânicos. Não é porque a Brit Milá não plica-se obrigatoriamente a vocês (em seus países), que estão isentos de observarem a Torá:

“Porque vós (gentios messiânicos), irmãos, fostes chamados à liberdade (isentos da brit milá e outras leis específicas aos israelitas). Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne (pecado/transgressão da Torá), antes pelo amor servi-vos uns aos outros. Pois toda a Torá se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”

Verso 18 21:

“Mas, se sois guiados pela Ruach (Espírito do Pai), não estais debaixo da lei (em transgressão). Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Elohá”

       Percebemos claramente que linda e maravilhosa obra o rav SHaul estava realizando dentre os goym. Ensinando todos os pontos da Torá, como um pai ensina seu filho a dar seus primeiros passos. Hoje em dia, nós líderes, percebemos a dificuldade de pessoas que apresentam-se para a Teshuvá, cheias de dúvidas, medo de estarem em transgressão, e isso, considerando que elas têm bíblias em casa. Perguntam com muita curiosidade e sinceridade sobre o que é ou não pecado, como proceder diante de sua nova consciência. Agora pense bem, coloque-se no lugar do rav Shaul! Os gentios nada sabiam sobre como agradar o Eterno, como andar no caminho certo. Ele, por sua vez, ensinando passo a passo, no bê-á-bá da fé, o que era transgressão e como agradar Hashem, tudo num processo progressivo, cauteloso.

         Depois de citar as principais coisas que a Torá condena, o rav cita as práticas liberadas pela Torá. Como dizendo assim: Isso vocês podem fazer tá, não é pecado não!

Versos 22 e 23:

“Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há Torá” (Fiquem tranquilos se buscarem essas ações!)

GÁLATAS 6 E OS FALSOS ISRAELITAS MESSIÂNICOS

Passuk – verso 12:

“Todos os que querem ostentar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa do sacrifício Mashiach. Eles mesmos os (israelitas messiânicos) circuncidados observam a Torá, mas querem que vos (gentios messiânicos) circuncideis, para se gloriarem na vossa carne...Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura. E a todos quantos andarem conforme esta norma, Shalom v’Chessed (Paz e misericórdia) sejam sobre eles (gentios messiânicos) e sobre o Israel de Elohim (israelitas naturais)”.

       Aqui, o rav revela a verdadeira intenção deles em obrigar a brit milá aos gentios messiânicos; era por benefício próprio, para se isentarem da perseguição do ‘ortodoximo’ de seus dias. Por não aceitarem ou entenderem de fato a expansão da emuná (fé) e aceitação dos goyim por Elohim. Circuncidando-os, eles relatavam aos anti-missionários, uma falsa realidade; que haviam feito mais um prosélito para o judaísmo de então. Quanto na verdade, eles eram messiânicos e estavam seguindo uma recomendação do próprio Yeshua haMashiach, a de fazerem seguidores em todas as nações! Shaul também denuncia que exigiam a brit milá dos gentios convertidos em Yeshua, por pura vaidade! Eles estavam impondo um preceito israelita fora de contexto aos goyim, sabendo Shaul que estes, sequer eram zelosos para com a Torá.

EM FILIPENSES SHAUL DENUNCIA A FALSA BRIT MILÁ. O QUE SERIA ISTO?

      Será que Shaul está denunciando circuncisões que não tiveram um rabinato validando a operação cirúrgica? Será isso a falsa Brit Milá apontada por ele? Não, nada disso! Verá que no contexto ele fala também da precaução contra os CÃES GULOSOS. Isso te lembra algo que está ocorrendo em nossos dias? Quantos e quantos falsos rabinos não invalidam a brit milá uns dos outros, às conversões e certificados mútuos, afim é claro, de angariarem mais e mais dinheiro sob à custa dos neófitos. Vejamos o que ele realmente fala sobre abster-se da falsa Brit Milá:

“Quanto ao mais, irmãos meus, regozijai-vos no Senhor. Não me é penoso a mim escrever-vos as mesmas coisas, se a vós vos dá segurança. Acautelai-vos dos cães; acautelai-vos dos maus obreiros; acautelai-vos da falsa circuncisão. Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Elohá em espírito, e nos gloriamos no Mashiach Yeshua, e não confiamos na carne”        Filipenses 3:2- 4

      No próximo passuk (versículo), ele vai explicar sobre o que é confiar na carne, ou seja, quem vence a própria Ietser hará (a inclinação para o mau) e sobre sua legitimidade quanto à BRIT MILÁ:

“Se bem que eu PODERIA ATÉ CONFIAR NA CARNE. Se algum outro julga poder confiar na carne, ainda mais eu que SOU CIRCUNCIDADO AO OITAVO DIA, da LINHAGEM DE ISRAEL, da TRIBO DE BENJAMIM, HEBREU DE HEBREUS; quanto à Torá fui P’RUSH (fariseu); quanto ao ZELO, persegui a Kehilat; quanto à justiça que há na Torá, FUI IRREPREENSÍVEL. Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor do Mashiach...para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me a ele na sua morte, para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição dentre os mortos”                                                                                                 Versos 5 -11

      Shaul explica de forma categórica que, o que defende, defende por convicção, não conveniência e joga suas credenciais na mesa da discussão. Acho que você entendeu agora não é mesmo caro leitor(a)?

 

SHAUL EXPLICA AOS COLOSSENSES QUE PELA OBRA DO MASHIACH, ELES, OS GENTIOS, FORAM INSERIDOS NO AMOR DE ELOHIM

Capítulo 2 e versos: 8,11 -14

“Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens (halachot), segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Mashiach; no qual também fostes (gentios messiânicos) circuncidados com a brit milá não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a brit milá do Mashiach (Que é se voltar ao Pai com toda força e sinceridade); tendo sido sepultados com ele na tevilá (imersão), no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Elohá, que o ressuscitou dentre os mortos; e a vós, quando estáveis MORTOS NOS VOSSOS DELITOS e na INCIRCUNCISÃO DA VOSSA CARNE, vos VIVIFICOU juntamente com ele (dando oportunidade aos gentios), perdoando-nos todos as transgressões; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós (a lei requer a morte do transgressor e Mashiach pagou, tomou sobre si conforme Isaías 53) nas suas ordenanças, o qual nos era contrário (por causa de nossa vida pecaminosa), removeu-o do meio de nós, cravando-o na Madeiro”

     Shaul está afirmando que Yeshua é o nosso libertador (o servo de Isaías 53) e se vamos nos vangloriar de algo, que seja dEle. A circuncisão que ele fez no espírito, tanto dos circuncidados (judeus naturais) conforme a Lei, quanto nos incircuncisos (gentios messiânicos).

NO CAPITULO 4, SHAUL EXALTA ALGUNS IRMÃOS ISRAELITAS MESSIÂNICOS CUJO PERTENCEM A BRIT MILÁ

Verso 11

“ ...e Yeshua, que se chama Tsadik - Justo, sendo UNICAMENTE ESTES, dentre a BRIT MILÁ, os meus cooperadores no reino de Elohim; os quais têm sido para mim uma consolação”

      A consolação para Shaul, era saber que nem todos da Brit MIlá eram contrários a ele, nem todos o perseguiam, ou reprovavam sua luta para com os gentios messiânicos e ainda, colaboravam! Muitos destes sabiam como Elohim demonstrou poderosamente e misteriosamente a muitos, a sua aceitação dos goyim, todos os que se arrependessem de suas transgressões e procurassem uma vida justa, servindo ao Eterno por meio de Yeshua haMashiach. Confira em ATOS 10: 44:

“Enquanto Kefá (Pedro) ainda dizia estas coisas, desceu a Ruach haKodesh (o Espírito do Santo) sobre todos os que ouviam a palavra. Os crentes (messiânicos) que eram da Brit Milá, todos quantos tinham vindo com Kefá (Pedro), maravilharam-se de que também sobre os gentios se derramasse o dom do Espírito do Separado”

       Em Romanos 2 :17-20, Shaul mostra o quão bom é ser pertencente a nação escolhida e isto implica em grandes responsabilidades:

“Mas se tu és chamado YEHUDI (Judeu), e repousas na TORÁ, e te glorias em Elohá; e CONHECES A SUA VONTADE e aprovas as COISAS EXCELENTES, sendo INSTRUÍDO NA LEI; e confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, instruidor dos néscios, mestre de crianças, que tens na lei a forma da ciência e da verdade...”

      Observou como o rav exalta os sinceros israelitas naturais, dando-lhes também uma imensa responsabilidade perante os gentios? Definitivamente, Shaul vai discorrer no próximo capítulo, a imensa importância da Brit Milá para a nação de Israel. Uma coisa é saber definir a brit milá para toda uma nação israelita, outra bem diferente, é usar disso como passaporte para promoção individual:

“Que vantagem, pois, tem o judeu? Ou qual a utilidade da Brit Milá? MUITA, EM TODO SENTIDO; primeiramente, porque lhe foram confiados os ORÁCULOS DE ELOHIM”                                                                                            Romanos 3:1

Versos 29 -31

“... É porventura Elohá (Pai/Criador) somente dos judeus? Não é também dos gentios? Também dos gentios, certamente, se é que Elohá é Echad (um só), que pela fé há de justificar a circuncisão (Judeus Messiânicos), e também por meio da fé a incircuncisão (Gentios Messiânicos). Anulamos, pois, a Torá pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a Torá”

Passuk 23 adiante:

“Tu, que te glorias na Torá, não desonras a Hashem quando transgrede a Torá? Assim pois, por vossa causa, o nome de Elohá é blasfemado entre os gentios, como está escrito: Porque a circuncisão (judeus messiânicos) é, na verdade, proveitosa, se guardares a Torá; mas se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão tem-se tornado em incircuncisão”

Passuk 26:

“Se, pois, a incircuncisão (gentios messiânicos) guardar os preceitos da Torá, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão?”

        Aqui, nota-se verdadeiramente o que chamamos de: “dar com a mesma moeda”. Shaul lembra aos judeus messiânicos, os quais pertencem a Brit Milá, que no Tanach, Hashem chama os rebeldes circuncidados na carne, de incircuncisos. Eles serão contados como tais pelo descaso com a Torá. Pois a circuncisão deles foi invalidada por conta de suas desobediências à Torá. (Já falamos sobre isto anteriormente lembra?). Ora, seguindo o mesmo raciocínio, Shaul, genialmente inverte a situação e os refuta dizendo: Igualmente eles, os incircuncisos (gentios messiânicos) não serão contados como circuncidados caso obedeçam a Torá? É neste ponto, e só neste, que Shaul dissera que em Yeshua nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem proveito algum, e sim o observar os mandamentos de Elohá. Shaul brilhantemente reitera no verso 27 que:

“... a incircuncisão (gentio messiânico) que por natureza o é (incircunciso), se cumpre a Torá, julgará a ti (judeu messiânico), que com a letra e a circuncisão és transgressor da Torá. Porque não é israelita o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é israelita aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Elohá”

        Shaul exalta a Brit Milá para a primazia da nação israelita e não admite usa-la subjetivamente como promoção individual. Ele mesmo disse, que se quisesse agir como a muitos, teria também motivos e credenciais para exaltação própria na brit milá. Portanto, sabia muito bem, que no final, o cumprir a Torá era a única coisa que importava, além é claro, da crença para a justificação em Yeshua haMashiach. Sem Torá, a circuncisão torna-se incircuncisão, e vice e versa! E como dissertei anteriormente, a circuncisão é uma mitsvá com mérito aos pais, não ao circuncidado!

      Em Romanos 4, Shaul discorre sobre quando Avraham foi imputado como justo pela fé diante de Hashem (mesmo ele tendo obras, mas não por elas), ele estava incircunciso na ocasião em que foi tachado Tsadik - Justo. Este argumento só é usado para lembra-los que o Eterno valoriza igualmente a fé dos gentios incircuncidados no prepúcio:

“Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Elohá, e isso lhe foi imputado como justiça...assim também David declara bem-aventurado o homem a quem Elohím atribui a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Adonay não imputará o pecado. Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a brit milá somente, ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos: A Abraão foi imputada a fé como justiça. Como, pois, lhe foi imputada? Estando na brit milá, ou na incircuncisão? Não na brit milá, mas sim na incircuncisão”

    Shaul continua no mesmo capítulo a apontar como Avraham foi justificado pela fé antes mesmo da Brit Milá e recebeu a Bri Milá como um selo. Passuk 11:

 “E recebeu o sinal da brit milá, selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles na incircuncisão, a fim de que a justiça lhes seja imputada, bem como fosse pai dos circuncisos, dos que não somente são da circuncisão, mas também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, antes de ser circuncidado”

      Com essas palavras, ele deixa evidente que os gentios que recebem a entrada pela fé, bem como Avraham também obteve ainda estando incircunciso, podem receber também, mais tarde, o SELO DA CIRCUNCISÃO na carne, se caso desejarem, não por imposição de nenhum judeu, seja ele messiânico ou ortodoxo, mas por escolha própria. É uma inverdade afirmar que se um gentio messiânico fizer sua brit milá estará negando ao mashiach. É um mito criado pelos cristãos torcendo as palavras de Shaul. A verdade é que Shaul lutou apenas para que os gentios messiânicos tivessem o livre arbítrio de decisão, se querem ou não fazer a brit milá no prepúcio, uma vez que esta mitsvá não se aplica a eles, por não serem filhos carnal de Avraham, não residirem em Israel, mas são filhos da fé e alcançados pelo Mashiach para toda a boa obra da Torá!

       O rav Shaul, por tudo que falou, deixou claríssimo que os naturais de Israel estão obrigados ao pacto, igualmente seus inquilinos, mas aos gentios é opcional, podendo ou não fazê-la. Se você é um gentio messiânico, não está obrigado à Brit Milá, se desejar obter a circuncisão por saúde ou mesmo demonstração de amor às leis israelitas, faça. Até aconselhamos pessoas a fazerem. Quem faz, escolheu algo muito nobre, mas com toda boa consciência de liberdade no Mashiach! Mas saiba que isso não mudará em nada sua condição diante do Eterno, mas sim, o observar as leis universais da Torá aplicáveis a você! 

      Hoje muitas pessoas ao invés de estudarem profundamente as palavras de Shaul, seu raciocínio e argumentos, preferem (por preguiça, tendência ou mesmo ignorância), dizer que tudo é culpa da adulteração de Roma. Isto virou até um clichê! Entendo perfeitamente o quão profundo, o quão judaico é este argumento todo promovido por Shaul. Ele jamais atentaria contra a brit milá! Não podemos apenas sair chutando tudo que não compreendemos acusando de adulteração romana. Não podemos dar estas respostas simplistas e sem conteúdo, sem provas, apenas porque nos parece o obvio diante de nossas limitações. Nós roshím (líderes) precisamos ter mais cautela e aprofundamento na Palavra! Usar critérios e metodologia no estudo. Mas acima de tudo, buscar a Ruach haKodesh (o Espírito do Pai). Dizer que a brit milá é obrigatória ao goy, é o mesmo que imputar aos gentios, a lei que proíbe os sacerdotes levitas de casarem-se com viúvas! Todos terão uma só lei, mais onde e o que se aplica a você neste conjunto das leis? És um israelita? Um israelita levita? Um ger? Um goy?

- CONCLUSÃO

  1.  Fica entendido que a Brit Milá é um preceito Eterno;

  2.  Que ela, assim como tantas outras Leis, tem sua aplicação legítima e contextualizada:  (A) Aos filhos de Israel  (nascidos ou não em Israel); o que inclui todas as 12 tribos. (B) ao Ger (gentio prosélito que vive em Israel). 

  3.  Que a Brit Milá não é obrigatória para o gentio (não-semente de Abraão) crente em Yeshua e que vive fora de Israel (não-Ger) - Sendo a mesma, quando muito, opcional!

  4.  Que a Brit Milá é fundamental para saúde, pois evita câncer peniano, doenças fúndicas  e o câncer uterino nas esposas. 

“Digo pois, que Mashiach foi feito MINISTRO DA BRIT MILÁ, por causa da verdade de Elohá, para confirmar as promessas feitas aos pais”        Romanos 15:8

      

Amn v’Amn!   -   Moshé ben Shalom

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